A formação docente e a avaliação

A pesquisa realizada sinalizou a necessidade da oferta de uma formação específica sobre o tema Avaliação da Aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica aos docentes. Nesse caminho, no intuito de qualificar a ação dos professores na materialização e operacionalização da avaliação concebida como uma prática formativa, torna-se necessário fomentar um processo de reflexão sobre a temática.

A avaliação está presente em todas as práticas cotidianas, em especial nos processos de formação escolar. Na Educação Profissional e Tecnológica, existe uma singularidade maior, pois estão envolvidas a formação humana e a formação para o mundo do trabalho. Nesse sentido, destaca-se que a EPT possui especificidades que precisam ser consideradas no processo de ensino aprendizagem e consequentemente na avaliação. Ela compreende atividades teóricas e práticas, visitas técnicas a contextos reais de atuação profissional, projetos de pesquisa e extensão, pesquisas aplicadas, estágios.
Diante disso, o trabalho do professor dessa modalidade de ensino torna-se ainda mais desafiador. É importante destacar que nas instituições que ofertam Educação Profissional e Tecnológica, especialmente nos Institutos Federais, ingressam docentes muito bem qualificados, na sua maioria mestres e doutores, profissionais graduados e pós-graduados em áreas específicas, porém, muitas vezes, sem a formação pedagógica adquirida nos cursos de licenciatura. Essa ausência na sua formação, muitas vezes representa mais um, entre os tantos desafios que esse docente terá que enfrentar.

Como pudemos observar, durante a realização da nossa pesquisa, os depoimentos dos docentes participantes, em sua maioria sem formação específica para a docência, revelaram que há dificuldades, dúvidas, incertezas, frustração, insatisfação para realizar a avaliação. Entretanto é importante ressaltar que o fato de ter formação para a docência não necessariamente garante que esse docente terá mais facilidade com a avaliação. Conforme observa Perrenoud (1984), na formação do professor privilegia-se a preparação para o ensino, em detrimento da preparação em avaliação, como se ela viesse atrelada automaticamente às funções do ensino, não requerendo uma atenção especial.

Considerando que na Educação Profissional e Tecnológica, a formação inicial dos docentes de forma geral não contempla ou não atende a todas as especificidades e demandas dessa área, a formação continuada torna-se um requisito indispensável.
Entende-se que a falta de formação, provoca a precarização do trabalho do professor, visto que o exercício da docência requer conhecimento sobre o papel que a educação assume na sociedade, o papel do professor na formação integral e cidadã do estudante, o domínio de conhecimentos pedagógicos, o conhecimento da profissão, dentre outros. A capacidade do professor para lidar bem com a complexidade da prática avaliativa mantém íntima relação com sua formação profissional.

De acordo com Vasconcellos (2013, p.84) o professor que está engajado no processo de mudança da avaliação, tem duas grandes tarefas: “comprometer-se verdadeiramente com a aprendizagem de todos os alunos, com a efetiva democratização do ensino. Romper com a ideologia e práticas de exclusão; abrir mão da avaliação classificatória como alternativa pedagógica.”

Diante disso compreendemos como necessário que o professor saiba desempenhar de forma qualificada seu papel, construindo um cenário avaliativo que seja convidativo à aprendizagem, organizado de forma significativa que permita ao aluno confiança e espaço para as suas descobertas. Para tanto necessita de formação profissional adequada.

O percurso histórico sobre a formação de professores da educação profissional e tecnológica foi marcado pela ausência de políticas públicas que valorizassem e qualificassem esses profissionais.

De acordo com Machado (2011), a necessidade de políticas públicas para a formação de professores para esta modalidade de ensino torna-se um problema bem maior com a expansão da Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, a partir da materialização dos Institutos Federais.

As discussões, estudos e pesquisas sobre a formação de professores da Educação Profissional e Tecnológica estão em torno da criação ou fortalecimento de políticas públicas destinadas à qualificação profissional por meio de cursos de formação inicial (graduação), formação continuada no âmbito de cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, bem como ações formativas que colaborem para o desenvolvimento profissional docente, uma vez que temos presente, nessa modalidade de ensino, um grupo de professores com formação bem diversificada (licenciados, bacharéis, tecnólogos e técnicos).

Sabemos da importância da criação de uma política pública voltada para a valorização e reconhecimento desses professores, contudo, entendemos que enquanto lutamos para isso existem outras atividades formativas que podem contribuir para o desenvolvimento profissional desses docentes no contexto do trabalho.

Vivemos numa sociedade complexa e que vive em constante mutação, isso demanda da escola e dos profissionais que nela atuam, em especial dos docentes, um processo de aprendizado contínuo. A partir das mudanças surgem novas necessidades. É nesse contexto que a formação continuada se faz necessária. Entretanto, é preciso estimular o professor para esse processo formativo, dando-lhe oportunidade para que isso aconteça.

Acreditamos ainda que seja na instituição de ensino, com seus pares e demais profissionais da educação, num processo de reflexão, pesquisa e ação que os professores ensinam e aprendem sobre o que é ser e como se fazer professor na EPT. Em relação a isso, Afonso et al. (2015, p.82) expressam a seguinte afirmativa:

Deve-se considerar a escola como um ambiente educativo, como um espaço de formação contínuo. Trabalhar e formar, nesse contexto, não são atividades distintas. A formação dos professores não deve ser encarada como um processo estanque, separado de sua atividade docente, mas sim um processo contínuo, no sentido real da expressão formação contínua, maior que a continuada. Nesse cenário faz-se importante o tempo para a percepção e autoreflexão, para sua autoformação, seja em espaços de compartilhamento – de forma participada – ou mesmo em momentos que se leve a produção de seu próprio conhecimento a partir de uma (re)significação individual.

Nessa perspectiva, a instituição escolar torna-se um espaço primoroso para o desenvolvimento de ações contínuas de formação docente, baseadas no trabalho coletivo, colaborativo, participativo, interativo e dialógico. Além de promover momentos de formação contínua em serviço observando as necessidades e demandas docentes a partir do seu contexto.

Considerando os aspectos acima mencionados é que estamos propondo essa ação formativa, visando fomentar a reflexão e as discussões sobre a Avaliação na Educação Profissional e Tecnológica como uma prática formativa, tendo em vista a necessidade de (re)significa-la.